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Vozes Da Distorção - Senhor Dadá

  • Foto do escritor: natalia sanchez
    natalia sanchez
  • 15 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


Toda semana, a arte nos convoca a ir além da superfície. O que impulsiona um criador a rasgar o véu da convenção, a amplificar o estranho e a desestabilizar o que tomamos por belo ou familiar?

Hoje, temos o privilégio de receber Senhor Dadá. O artista topou compartilhar conosco suas inspirações, seus demônios criativos e o papel crucial da distorção em sua expressão. Acompanhe a seguir esta conversa imperdível!


  • Gostaríamos de começar do início. Nos conte, em suas palavras, como e quando você começou a desenhar ou a praticar sua arte?


Hoje tenho 33 anos de idade, e desde que me entendo por gente eu fazia arte. Lembro de estar no primário e fazer uma excursão para o museu da minha cidade, para vermos as obras de Benedito Calixto. Assim como Calixto, também nasci em Itanhaém. Lembro que aquelas telas me encantaram de tal forma que a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi pegar papel e lápis de cor para poder desenhar/pintar. Desde então nunca parei de criar. A colagem veio mais tarde, por volta de 2018 e se apresentou para mim quando li uma história em quadrinhos chamada Patrulha do Destino. Logo após veio a pandemia. Acredito que a colagem dadaísta em mim foi um reflexo desses tempos, em que pude ver meu próprio absurdo, meu próprio ridículo, o meu próprio nonsense e acima de tudo, o absurdo do mundo.


  • Como você descreveria a sua obra, em geral, para alguém que nunca a viu?


Um gore estético. A subversão de tudo o que possa ser considerado belo. A marginalização e vandalização do que chamam de “arte”. Uma ruptura das morais sociais. O ser humano, a máquina e tudo o que o rodeia completamente dissecados, sendo expostos sem máscaras ou filtros.


  • Qual é o seu processo de trabalho? Você costuma começar com um esboço físico, uma ideia abstrata/conceitual, ou a escolha de um material/mídia específica é o primeiro passo?


É muito variado. Com a colagem digital primeiro vem a ideia, depois salvo as imagens que quero usar e então começo a trabalhar nela. Mas na colagem analógica, na maioria das vezes a obra acontece. Pego um papel, abro minha caixa de recortes e vou pegando e colando, até chegar a um resultado desejado. Por vezes uma ideia surge no meio do caminho e dou uma ajustada no que estava trabalhando para chegar na ideia.


  • Em média, quanto tempo você dedica a uma única obra, desde a primeira ideia até a finalização?


Gostaria de ter mais tempo para a minha arte. Mas com a rotina de trabalho e estudo não é tão fácil assim. Por vezes a ideia/anseio veio no meio do dia, onde estou impossibilitado de criar.  Basicamente tiro os fins de semana para me dedicar a minha obra. Sábados e domingos são os dias para começar e/ou finalizar minhas ideias.


  •  Quais artistas (históricos ou contemporâneos) influenciam seu trabalho atualmente, e você poderia nos explicar o porquê dessa conexão?


Essa é bem difícil. Gosto de pensar que minhas inspirações vêm das ruas. Dos pichadores, daqueles que fazem seus zines, dos que gritam e protestam cheios de ódio por justiça, minhas maiores inspirações são os inconformados e todos os anônimos que deixam suas marcas.Mas se formos falar de nomes, eu diria Banksy pelo humor negro e subversivo. Esse “terrorismo artístico” que ele comete é de encher os olhos. A obra “Davi”, onde a famosa estátua está agora usando uma bandana cobrindo o rosto e um colete repleto de explosivos é a minha favorita, reflete muito bem o que eu quero passar em minhas obras. A destruição do belo e a humanidade exposta sem filtros.A influência de Tristan Tzara se faz presente também nas minhas colagens analógicas. Principalmente pelas críticas aos padrões da “arte tradicional”.


  • Qual é a mensagem, a reflexão ou o sentimento mais importante que você espera que o público leve consigo ao interagir com as suas obras?


A maioria das minhas obras são bem caóticas, eu espero que o público pare para analisar cada detalhe. Olhar minuciosamente cada textura, cada palavra usada. E obviamente não seguir por um único caminho (primeiro devo olhar para esse ponto, depois esse...), quem olhar essas obras vai seguir cada um por um caminho e ir montando esse quebra-cabeça na sua mente. O público deve se questionar, mas acima de tudo, deve se sentir incômodo.


  • Para finalizar, em um exercício de honestidade brutal e refletindo sobre o tema, qual foi o momento que você considera o mais grotesco ou profundamente perturbador da sua vida?


Os momentos que julgo mais perturbadores foram os rompantes de raiva que já tive. Por vezes tive explosões onde ficava cego de ódio, descontava e ameaçava pessoas que estavam próximas. Poderia arranjar briga facilmente com alguém duas vezes maior do que eu. Pessoas que já presenciaram isso me disseram que foi assustador, que nunca viram ninguém tão irritado antes. Admito ter a cabeça a milhão, e antes era pior, vivia em ponto de ebulição, parecia que algo ia acontecer e eu deveria estar sempre alerta, sempre em um estado berserk.Refletindo hoje, eu me pergunto “pra quê?”.  Nada daquilo foi necessário, foi de fato perturbador como uma palavra, um gesto ou um simples olhar eram necessários para desencadear uma fúria ensandecida.



Que encerramento potente e sincero, Senhor Dadá. Agradecemos por essa honestidade brutal, que não apenas complementa a sua arte, mas também oferece uma perspectiva sobre a energia crua que a impulsiona.

Não deixe de acompanhar o trabalho do nosso artista @Senhordada

Qual reflexão desta entrevista mais ressoou com você? Sua participação é essencial para a nossa curadoria!


Até a proxima " Voz " !

 
 
 

1 comentário


gaby rinaldi
gaby rinaldi
15 de dez. de 2025

Sensacional, genial e necessário. Seu trabalho expõe, questiona e incomoda — a entrevista mostra o quanto isso é consciente e verdadeiro.

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