Vozes Da Distorção - Anodyn Opera Sevo
- natalia sanchez
- 9 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Toda semana, voltamos à mesma questão essencial: O que move um artista a confrontar, a exagerar e a subverter o belo e o familiar? Em nossa galeria, não apenas exibimos obras que desafiam o olhar e a percepção, mas também reservamos este espaço crucial para a "Voz da Distorção" — o quadro onde os próprios criadores abrem as portas de seus ateliês para nos contar o que realmente se passa em seus processos.
Hoje, temos o privilégio de receber Anodyn Opera Sevo. O artista topou compartilhar conosco suas inspirações, seus demônios criativos e o papel crucial da distorção em sua expressão.Acompanhe a seguir esta conversa imperdível!
Gostaríamos de começar do início. Nos conte, em suas palavras, como e quando você começou a desenhar ou a praticar sua arte?
Eu não tenho como dizer com exatidão quando comecei a desenhar, mas eu era muito novo; devia ter por volta dos meus oito anos. Eu sempre fui apaixonado por imaginar, fosse para criar algo novo ou reimaginar o que já existia. Esse sentimento perdura até hoje, lapidado e reforçado por uma trajetória que sempre gritou liberdade. A arte Talvez me tenha surgido como uma forma de fugir ou de encontrar um lugar seguro, onde eu pudesse ser quem e como quisesse ser.
Como você descreveria a sua obra, em geral, para alguém que nunca a viu?
Eu diria que meus desenhos, quando vêm de inspirações pessoais e internas, são fragmentos de mim mesmo, partes da minha própria percepção do mundo. Quando vêm de inspirações externas, são distorções ou partes disruptivas de uma realidade exagerada. Talvez figurativa abstrata mas, sem ser encaixar diretamente.
Qual é o seu processo de trabalho? Você costuma começar com um esboço físico, uma ideia abstrata/conceitual, ou a escolha de um material/mídia específica é o primeiro passo?
Eu começo em mim. Se algo me incomoda ou me transmite algum sentimento, isso já é combustível suficiente para criar. A partir daí, deixo a ideia fluir livre, como se a arte fosse algo vivo e inexistente querendo nascer. Mas, no caso de trabalhos, eu começo por visualizar o pedido para então construir um esboço que fique fiel ao desejo do cliente.
Em média, quanto tempo você dedica a uma única obra, desde a primeira ideia até a finalização?
Isso varia muito. Posso levar dias ou horas, e nem sempre tem a ver com a dificuldade, mas com o processo emocional que empenho em cada peça. Embora, claro, a complexidade também influencie diretamente no tempo.
Quais artistas (históricos ou contemporâneos) influenciam seu trabalho atualmente, e você poderia nos explicar o porquê dessa conexão?
Não sinto que meu trabalho tenha influência consciente de artistas visuais. Minhas principais referências vêm da literatura; nomes como Clive Barker, Edgar Allan Poe, Glauber Moledo, Stephen King e outros autores que me empurram para uma visão quase sempre mais grotesca da realidade.
Eu admiro muitos ilustradores, especialmente do meio underground, punk, gótico entre outros mas, meu motor criativo é, antes de tudo, político, observativo e literário. Isso quando não é a mescla.
Qual é a mensagem, a reflexão ou o sentimento mais importante que você espera que o público leve consigo ao interagir com as suas obras?
"Coloco emoção em cada obra que produzo, claro. Mas o que eu realmente espero é que cada pessoa traduza a arte a partir de si mesma. Que ela desperte emoções tão íntimas quanto as que coloquei ali. Eu mudo constantemente e cada trabalho segue um padrão diferente mas, atualmente estou buscando uma mistura de admiração e desconforto.
Para finalizar, em um exercício de honestidade brutal e refletindo sobre o tema, qual foi o momento que você considera o mais grotesco ou profundamente perturbador da sua vida?
É uma pergunta difícil, porque as respostas são muitas. Mas uma das experiências que carreguei para minha arte foi o dia em que colocaram fogo no meu cabelo por eu ser negro. Isso marcou quem eu sou e quem eu fui e, inevitavelmente, muitas vezes marca o que crio de alguma forma. Mas, creio que o convívio em sociedade seja algo grotesco, mesclando o desconforto, o belo, o assustador e o desconhecido no cotidiano, penso comigo mesmo; quão bizarro é viver num mundo que te impede de ser quem é; estamos a todo momento nos moldando para caber e, nem sempre queremos nos encaixar de fato. Acho grotesco.
Encerramos aqui nossa poderosa conversa com Anodyn Opera Sevo.
Agradecemos imensamente por compartilhar conosco suas inspirações, seu processo e, principalmente, sua honestidade brutal.
Não deixe de acompanhar o trabalho do nosso artista @anodynoperasevo
Qual reflexão desta entrevista mais ressoou com você? Sua participação é essencial para a nossa curadoria!
Até a proxima " Voz " !









Ter sido citado como inspiração por esse pequeno monstrinho, ao lado de mestres atemporais, como se fosse apenas uma normalidade me honrou extremamente.
Obrigado por entrevistá-lo, Grotesco, o talento dele é gigante.