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A Magia Antes da Estreia: Os Bastidores da Montagem

  • Foto do escritor: natalia sanchez
    natalia sanchez
  • 9 de jan.
  • 2 min de leitura

Por décadas, as galerias de arte foram projetadas como "cubos brancos": espaços assépticos, silenciosos e iluminados, destinados à contemplação de uma estética muitas vezes higienizada. Nesse cenário, o terror sempre foi o grande intruso. Por que o medo, uma das emoções humanas mais fundamentais, ainda é tratado como um tabu no circuito das artes plásticas?

O tabu em torno do terror nasce do desconforto. Enquanto a arte clássica busca a harmonia, o grotesco celebra a deformidade, o híbrido e o abjeto. No entanto, como diria o teórico Wolfgang Kayser, o grotesco é a nossa tentativa de invocar e domesticar o demoníaco no mundo.

Ao trazer o grotesco para o centro da exposição, não estamos apenas buscando o "choque pelo choque". Estamos questionando:

A fragilidade do corpo humano.

O que a sociedade decide esconder por trás de fachadas de perfeição.

A beleza que reside no que é considerado "feio" ou "perturbador".


Projetores??

Se as obras impressas nos dão o detalhe e a permanência, o uso de projetores rompe a barreira física entre o espectador e a arte. A projeção retira a obra do quadro e a lança sobre a arquitetura, sobre o ar e, eventualmente, sobre o próprio corpo do visitante.

A imersão tecnológica transforma o terror em uma experiência fenomenológica:

A Perda do Controle: No escuro da projeção, o visitante perde as referências espaciais da galeria.

O Movimento Constante: Diferente da tela estática, a luz projetada pode pulsar, distorcer e envolver, simulando a natureza instável de um pesadelo.

Escala Monumental: O horror, quando projetado em grandes dimensões, deixa de ser algo que observamos para se tornar algo que nos consome.

"O Grotesco" não é uma exposição para ser vista apenas com os olhos, mas com o estômago e com a pele. Ao unir a tradição da gravura com a efemeridade da luz projetada, desafiamos o purismo das galerias e convidamos o público a enfrentar aquilo que normalmente preferimos ignorar.

O terror, afinal, é a forma mais honesta de lembrarmos que estamos vivos.

Ogrotesco estreia em breve, nossa amostra está em processo de negociações e por aqui você pode acompanhar nossos bastidores. 


Os vejo em breve.


Natália Sanchez, curadoria.

 
 
 

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